segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ponderando com Clarice Lispector

Então, dentro de um tesouro em palavras, Clarice afirma: "Mas é que o erro das pessoas inteligentes é tão grave: elas têm os argumentos que provam".
Ato contínuo, reflito:
- Mas sustentam seus erros com provas ilegítimas. Podem até as provas serem verdadeiras, mas daí a sustentarem um erro? Os inteligentes usam a verdade distorcida somente para demonstrarem a sua inútil capacidade de provar um bem que, na realidade, não há. O que há é o erro. Erro em cima de erro. Orgulho infantil: não assumir o erro. Serão afinal tão inteligentes assim? 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Falta

Coisa estranha é ter saudades de alguém que se vê todos os dias, a simples presença não satisfaz.
É que falta aquela voz altiva, determinada e certa. Falta também o barulho das chaves a balançar enquanto anda.
Onde está o violão a dedilhar? E o doce de goiaba com farinha de milho e leite?
Faltam petições a serem corrigidas - insistentes nos erros de sempre.
Coisa estranha é levar e trazer um pai que não mais o meu pai Carlos Celso.
É que falta aquela vaidade, aquele sorriso de orgulho da filha.
Eu estranho conversar com este frágil pai. Faltam os conselhos, a posição firme de quem sustenta a tese mesmo que errada até o fim.
Faltam as brigas e as pazes.
Que falta eu sinto da poesia feita no berçário do hospital para meus primeiros filhos, carregadas de emoção, mas que não está no álbum dos meus dois últimos.
Sinto tanta falta daquele carinho desajeitado, da sua maneira torta de gostar.
Nunca pensei que um dia eu sentiria falta dos teus defeitos que tanto me incomodavam. Mas nem eles estão mais lá.
Que saudades, pai, da tua presença verdadeira e inteira.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Veneza

Ruas estreitas, braços azuis.
Retratos em janelas floridas.
Beijos loucos sobre o mar e poesia no ar.
Nos olhares a música.
Tudo é mágica neste lugar,
Cidade de suspiros.

Cada esquina, ponte e beco
Cúmplices de paixões charmosas.
Assim é Veneza:
A cidade e o mar que se amam,
Se entrelaçam e se confundem.

Tudo testemunha o amor.
Mas nenhum se compara à história de amor
Que terra e água vivem por lá.

Veneza! Carne confundida pelo mar
Que quis abracá-la, inebriado.
Acolhe também os enamorados
Que distraídos se perdem em seu labirinto.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Uma Explicação Longa

Quando a explicação é muito longa é porque o pecado é grande. O que não é pecado não necessita de explicação. Entende-se sem palavras. Aceita-se sem argumentos pelo simples fato de ser o correto. Pelo menos um correto geralmente aceito. O correto social, ditado de fora para dentro.
A maior questão, porém, está em perceber o pecado, quando o pecado para o outro é o correto para mim. Nesse caso peco sem explicar pois trata-se do correto. O meu correto me basta. Mas como eu quero viver com outros, preciso sempre explicar. É triste ver o correto se transformando em pecado pela necessidade de ser explicado.
Desconfio sempre quando se explica muito - são porquês falsos que justificam erros. E erros, todos cometemos.
A minha vida é um suceder de erros: escolhas, atitudes, sentimentos. Como Drummond, exerço a minha vocação de "gauche" na vida.
Deus, que vocação!
Essa coisa de que faz parte de ser humano é pura verdade. Não conheço aquele que não erra. Mas conheço muitos que no minuto seguinte do erro já começam a se explicar. A pergunta que mexe comigo é: para quê tanta explicação? A nossa necessidade de ser amado nos enlouquece. Assim é o mundo em que vivemos: todos querem ser amados e todos julgam. Quem ama não julga, antes, compreende. Mas o erro magoa, dilascera e maltrata mais o sujeito agente do que o paciente. Nossa natureza nos condena a esse eterno jogo do errar e perdoar. Infelizmente eu erro mais do que acerto. Isso me maltrata.
É que errar é pecado e acertar é divino. Só Deus acerta sempre. Olhando para trás sempre concluo no hoje que no ontem Deus fez tudo certo na minha vida - mas eu, humana que sou, erro tudo. Já estou cansada de me explicar. Então vou tomar coragem e parar de errar, deixar só Deus acertando o resto da minha vida!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Um Presente para Malu

Hoje eu quero cantar, rimar e versar,
fazer salada de sentimentos bons,
brincar de misturar as palavras.

Hoje eu quero a rima mais bela,
quero tudo de lindo que há
para poder, então, presentear.

Hoje eu quero com carinho embrulhar
em verdes fitas de tafetá
o meu amor e te dar!